Valores que norteiam o pensamento político

Em meio a tanta corrupção e mentiras como o Cristão pode se envolver no política? É certo que não podemos nos parecer com o mundo, muito menos sermos participantes de suas obras infrutíferas, mas somos chamados para influenciar e gerar transformação pelo anuncio do evangelho, inclusive através do nosso comprometimento enquanto cidadãos do reino celeste como peregrinos nesse mundo.

“Que paz pública não seja perturbada; que as propriedades de cada pessoa
sejam preservadas em segurança; que os homens possam tranquilamente exercitar o
comércio uns com os outros; que seja incentivada a honestidade e a modéstia”

João Calvino

ENGAJAMENTO SOCIAL

É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Deem a cada um o que lhe é devido: Se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra. Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a lei. Rom 13:6-8

Retomando nosso tema, e seguindo o argumento dos versículos anteriores Paulo aponta ao menos 3 questões práticas do envolvimento, submissão e respeito ao governo civil. Essa tríade pode ser resumida no princípio de engajamento e responsabilidade social.

Observe que o engajamento social aponta para o resumo da segunda tábua da lei divina, que será citado no versículo posterior: “Ame o seu próximo como a si mesmo” Mateus 22.19. Os seis últimos mandamentos regulam as atividades e relacionamentos com os nossos vizinhos. Esse paralelo aponta a esfera de atuação do governo civil, a gestão das questões públicas e não particulares como por exemplo religião, família e propriedade. Além disso esse paralelo nos convida a uma postura de abnegação em prol do bem comum. Portanto, o envolvimento político não é só legitimo, mas é esperado do cristão que recebeu uma nova mentalidade de responsabilidade em Jesus Cristo.

DIREITOS PESSOAIS

“Os governantes [magistrados] devem fazer o máximo para impedir que a
liberdade, à qual foram indicados como guardiões, seja suprimida ou violada. Se
eles desempenham essa tarefa de forma relaxada ou descuidada, não passam de
pérfidos traidores ao ofício que ocupam e ao seu país”. 

João Calvino

Pois estes mandamentos: “Não adulterarás”, “não matarás”, “não furtarás”, “não cobiçarás”, e qualquer outro mandamento, todos se resumem neste preceito: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. O amor não pratica o mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento da lei. Rom 13:9

Passagens bíblicas conclamam os governantes a exercitar os princípios divinos de justiça, como Jeremias 23.2 e Salmos 82.3-4. Mas quais os direitos do âmbito pessoal que precisam ser respeitados e defendidos no âmbito público pelo governo? Romanos 13.9 nos aponta para os direitos fundamentais do homem: vida, propriedade e liberdade.

Os direitos de vida e propriedade talvez estejam bastantes claros no texto. Mas para compreendermos melhor o de liberdade é importante observarmos o paralelo entre adulterarás e cobiçaras. As referências dessas duas leis iniciando e concluindo a lista de Paulo apontam para a necessidade de conquistas legítimas. É como se o apostolo dissesse: não busque meios ilegais desejando o que é do outro, utilize da sua liberdade e permita que seu próximo possa usufruir de suas conquistas livremente sob os aspectos morais e legais envolvidos.

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