Lula, o messias condenado

O que representa a condenação de Lula

Hoje (24/01/2018) tivemos um momento marcante na política e história brasileira. O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, o Lula, foi condenado pelo TRF-4, em Porto Alegre. E com o julgamento acontecendo, vemos novamente aquilo que já tem sido corriqueiro em nosso país: a polarização política. De um lado, aqueles que são a favor de Lula, que gritam que tudo isso não passa de perseguição política, de um verdadeiro golpe. Do outro, vemos aqueles que comemoram e anseiam pela prisão do ex-presidente, afirmando que a justiça está sendo feita.

É natural em casos de grande escala, como este, que o emocional das pessoas fique exaltado. Existem muitas coisas em jogo: anseio por justiça (seja qual for o lado), desejos políticos, ambições econômicas, vantagens pessoais. Para as pessoas que tendem a concordar com a visão de Lula e seus parceiros, vê-lo perdendo poder é uma grande derrota. Enquanto o contrário é verdadeiro, a prisão iminente de um símbolo da esquerda é uma vitória para aqueles com outros ideais políticos e ideológicos.

O que todos querem no fim é justiça. Tanto de um lado como de outro, pois essa é uma busca natural da humanidade. Mas o que vemos hoje é muito mais que uma simples condenação para alguns. O que está em jogo é um conflito apocalíptico, os pólos veem o resultado dessa disputa como elemento chave para a vitória do bem sobre o mal. O futuro redentivo do país parece depender da prisão (ou não) do ex-presidente.

 

A busca pelo messias

Lula entrou para história em 2002 quando foi eleito por 53 milhões de votos. Tornou-se, na época, o segundo presidente mais votado do mundo, atrás apenas de Ronald Reagan na eleição estadunidense de 1984. Em uma grave crise econômica que acometeu o Brasil e iniciando-se logo após as eleições de 1998 como uma crise cambial, ela resultou na queda da taxa de crescimento, desemprego e aumento da dívida pública. Lula se apresentava como o Messias que traria desenvolvimento e crescimento ao país. Aquele que acabaria com a desigualdade e faria nossa nação próspera finalmente. E o cenário se repete: em tempos de crise a nação procura por um messias que possa ajuda-la.

Candidatos, partidos ou posições políticas, são para alguns a grandes esperanças da humanidade. Em um movimento reducionista, submetem toda análise humana e social a um aspecto político. As diferentes visões de governo demonstram confiança plena em diferentes áreas: indivíduos, Estado, nação, cultura. Mas nenhuma em quem realmente é soberano sobre tudo: Cristo. Podemos ver que quando uma corrente política dá problemas, é comum a população correr para o oposto em busca de melhorias. Vemos este fenômeno em nosso país com a esquerda, que “valorizava a democracia”. Ela crescia quase que hegemonicamente em nosso país, mas ao ter seus pressupostos abalados diante do retrocesso econômico, abriram o espaço para o crescimento massivo de uma oposição liberal. Esta tem crescido em meio ao caos e se apresentado como solução. A questão é que isso acaba sendo cíclico, pois nenhuma das ideologias apresentará uma resposta definitiva.

Em quem está a sua esperança

Obviamente não é errado e pode até ser saudável posicionar-se politicamente. Pessoas com pensamentos e preocupações diferentes fazem parte da multiforme sabedoria de Deus. É importante expressarmos e observarmos as divergentes posições com respeito, tolerância e sabedoria, pois assim poderemos adquirir uma perspectiva mais ampla da realidade. Entretanto, depositar sua esperança em um “Messias”, vai conduzi-lo à frustração e ao fracasso. Não devemos ser tolos! Só Cristo é capaz de trazer restauração a humanidade (Cl 1:14).

Algumas observações precisam ser levadas nessa conversa. Em primeiro lugar, todo caos econômico, social, ou mesmo moral que uma nação venha a enfrentar, não fugiu dos planos de Deus, e isto será usado providencialmente por Ele para que a Sua vontade se cumpre, afinal, ele governa as nações (Sl 22:18). Ele é superior a todos os tronos, poderes e domínios terrenos. (Cl 1:16) Só por meio Dele a verdadeira salvação existe. (At 4:12).

Em segundo lugar, isso não quer dizer que o cristão deve se tornar avesso à política, ou que não devemos nos opor à casos de corrupção. Mas isso deve ser feito da maneira sóbria e com cautela. A prisão do Lula e o trabalho realizado pela Lava Jato pode, de fato, ser uma expressão de justiça. Mas não estamos prendendo o diabo, ou acabando com as más escolhas humanas que nos levam para destruição. Não é a entrada de Alckmin, Bolsonaro, João Amoedo, Luciana Genro ou Ey-Ey-Eymael, “o democrata cristão”, que a redenção do país acontecerá.

A redenção completa, um estado de justiça social e prosperidade plena só se tornará real com Cristo, Rei e Soberano sobre tudo. Enquanto isso, nos resta o engajamento político com sobriedade e seriedade, apontar os desmandos de um governo corrupto independente do “lado político”, orar pelos governantes e obedecer às leis (Tito 3:1). E lembre-se! Não imprima sobre um homem a imagem de Cristo, o Salvador. Ele sim foi condenado, levando sobre si as nossas enfermidades, e acabará, na sua volta, com as enfermidades das nações.

Por Rodrigo Galente

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